Monday, March 30, 2009, 12:02 -
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Por Della Bradshaw, Financial Times
30/03/2009
Na primavera, um jovem fantasia alegremente pensamentos de amor, segundo escreveu o poeta vitoriano Alfred Lord Tennyson. Infelizmente, para os jovens que são alunos de MBA, seus pensamentos nesta primavera provavelmente estarão voltados para a iminência do desemprego e do endividamento.
Desde 2002, após os atentados terroristas aos Estados Unidos, o estouro da bolha pontocom e o pessimismo geral com a economia que se seguiu, os tempos não pareciam tão difíceis para aqueles que se formam em programas de MBA.
Mas, embora os bancos de investimento e as companhias de serviços financeiros -os tradicionais recrutadores de MBAs- estejam se entrincheirando, muitos estudantes estão descobrindo que há oportunidades reais em outros lugares.
Naveen Sikka, segundanista da Haas School da Universidade de Berkley, é um dentre um grupo de alunos que foi atraído para o norte da Califórnia por causa da agitação em torno das energias alternativas- "cleantech" (tecnologias limpas), como ele chama.
Quando o novaiorquino Sikka fez estágio em um banco de investimentos no terceiro trimestre do ano passado, seu trabalho esteve relacionado à energia. Agora ele está concluindo um projeto para uma firma de venture capital (capital de risco) em busca de soluções de "cleantech". Embora ainda não tenha conseguido um emprego para depois da formatura, em maio, ele está otimista. "Estou tentando descobrir onde os investidores estão alocando capital no espaço da tecnologia verde", diz.
Sikka está em busca de companhias iniciantes que operam com eficiência energética e projetos de "smart grid" (sistemas que combinam energia tradicional com tecnologia de monitoramento, tecnologia da informação e comunicações). "A eficiência energética está ficando atraente", ressalta.
Ele reconhece que esses setores estão muito distantes dos bancos de investimento tradicionais. "Como esta é uma indústria iniciante, o fato de ter um MBA em seus quadros tem significado diferente."
De acordo com Sikka, até 20 de seus colegas de uma turma de 240 estudantes de MBA podem estar tentando trabalhar nas áreas ambiental ou de energia- número que é bem maior do que o registrado nos anos anteriores e que, segundo ele, continuará aumentando em 2010.
Abby Scott, diretor de serviços de carreira da Haas School, diz que, embora o recrutamento esteja no geral em queda na faculdade, o setor de energia vem se mostrando um ponto de luz. "Algumas das iniciativas políticas adotadas pelo Estado da Califórnia estão ajudando a alimentar muitas oportunidades."
É difícil obter números definitivos sobre a redução do recrutamento, mas o número de empregos em oferta nos Estados Unidos como um todo parece ter caído entre 10% e 20%, segundo uma pesquisa conduzida em janeiro pelo MBA Career Services Council.
Nos Estados Unidos, o problema vem sendo exacerbado por causa das incertezas que cercam a contratação de estudantes não-americanos por empresas que vêm recebendo socorro do governo. O Bank of America cancelou ofertas e teme-se que outros bancos que estão sendo ajudados pelo governo vão fazer o mesmo.
Faculdades da Ásia estão enfrentando problemas parecidos. Na Ceibs de Xangai, por exemplo, 40% dos alunos tinham assinado propostas a esta altura do ano passado, segundo Lydia Price, diretora acadêmica do programa de MBA.
Este ano, o número está em 27%.
Na Índia, o mercado também deu uma desacelerada, segundo Ajit Rangnekar, reitor da ISB de Hyderabad. Ele diz: "Fomos até empresas que no passado reclamavam que não tinham acesso a grandes talentos nas áreas financeiras e industrial".
O resultado, diz ele, é que os alunos da ISB estão agora aceitando empregos na "indústria real com pessoas que estão fazendo negócios em vez de consultoria a empresas".
O que está claro nos Estados Unidos é que aqueles que estão se formando pelas principais faculdades têm uma probabilidade menor de ficarem sem empregos, mesmo que os empregos que esses alunos aceitarem não sejam os empregos de seus sonhos.
Na Harvard Business School, a oferta de empregos caiu 25%, com as áreas de serviços financeiros e imóveis particularmente afetadas, segundo afirma Jana Kierstead, diretora de serviços de carreira. Mesmo assim, cerca de 77% dos alunos da turma de 2009 já receberam ofertas de emprego.
Na Chicago Booth, dois terços da turma de MBA deste ano já estão com propostas em mão, uma ligeira queda em relação aos 70% do ano passado. E os alunos estão se mostrando admiravelmente confiantes em relação às perspectivas, segundo o reitor Edward Snyder. Um número considerável de alunos que receberam ofertas de emprego não as aceitaram, diz ele. "Isso vai contra o que se pode esperar."
Até mesmo na Stern School da Universidade de Nova York, uma das faculdades que tradicionalmente oferece mão-de-obra para Wall Street, as ofertas de emprego caíram apenas alguns pontos percentuais, afirma Pamela Mittman, reitora-assistente de serviços de carreira e de atividades estudantis. O que merece atenção, porém, é a maneira como os alunos estão conseguindo colocações no mercado por meio de indicações e não nas tradicionais feiras de emprego e de recrutamento nos campi, diz a reitora da NYU.
É um padrão que vem sendo verificado em todo o espectro das faculdades de administração. Na Insead, o reitor Frank Brown diz que uma tática empregada tem sido perguntar a ex-alunos se existem vagas de emprego apropriadas nas companhias em que eles estão trabalhando. O primeiro e-mail enviado a ex-alunos produziu 200 indicações de empregos.
A Insead, que forma duas turmas por ano, foi um dos principais indicadores de possibilidades de emprego para MBAs quando formou 460 alunos em dezembro ano passado. Quase 65% deles já tinham emprego quando se formaram, mas Brown acredita que as perspectivas serão piores para aqueles que se formarão neste verão (terceiro trimestre) e para os que se formarem em 2010.
Em Harvard, a diretora de serviços de carreira também está preocupada. "O que eu acho que será melhor em 2010, é que haverá menos incertezas", diz ela.
(Tradução de Mario Zamarian)